Nossa História

Por muitos anos desejei reproduzir e servir aquilo que aprendi com minha mãe Terezinha e meus avós Margarida Bertelli e Atílio Bertolini. Em Outubro de 2008, em parceiria com a Adelaide, finalmente consegui resgatar os aromas e os sabores da minha infância quando inauguramos a Cantina Bertelli.

Nossa aspiração era uma culinária saudável e com sabores autênticos da cozinha italiana. Em nome deste conceito, não fazemos uso de conservantes ou qualquer outro produto industrializado na elaboração de nossos molhos. Muitos dos nossos temperos plantamos e cultivamos em nosso jardim e nossa horta orgânica!

Todos os nossos funcionários, inclusive os extras, formam um grupo de pessoas comprometidas em fazer o melhor para atender bem. Eles são o nosso maior patrimônio assim como os nossos clientes que a cada dia fazemos questão de conquistar.

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As raízes de Guida

“Minha mãe tinha raízes italianas, como meu pai. Seu pai, Aquiles Bertelli, nasceu em Roverbella, na província de Mântua, uma pequena vila a 30 quilômetros de Verona. Na Itália, ele era condutor de trote e conhecedor da alta sociedade da região. Imigrou para o Brasil, em 1876, com seu irmão João, um pouco mais jovem do que ele. Ficou na Itália o caçula Pedro, com sua mãe que já era viúva.

Assim que os irmãos Aquiles e João se instalaram em Serra Negra, enviaram uma carta para que eles viessem para o Brasil, um país enorme: os irmãos Bertelli acreditavam que, juntamente com sua mãe, seriam felizes neste país maravilhoso.

Nono Aquiles Bertelli

Meu nono Aquiles, ao contrário do avô paterno, era muito instruído. Ele era um construtor nato que, por circunstâncias diversas, tornou-se lavrador. Todo o trabalho que executava era perfeito. Um dos seus primeiros trabalhos em Serra Negra foi a construção do muro do atual cemitério, feito de taipa, e que até os dias de hoje resta vestígio dessa construção secular.

Naquela época, o ideal de todos os imigrantes italianos era tornar-se agricultor e, para isso, deixavam a profissão de lado e compravam qualquer propriedade rural que aparecia, sem sequer analisar sua topografia. Com meu nono Aquiles não foi diferente: como ele morava na Itália, na pianura padovana, ao chegar a Socorro encontrou um sítio na região do bairro do Livramento, no alto de um penhasco e difícil acesso. Mas, no topo do morro havia uma ampla planície onde corria um límpido riacho, cortando a invernada, e na qual pastoreavam um pequeno rebanho de gado, alguns cavalos, éguas com potrinhos e, ainda, cabras e ovelhas. Ainda sobrou espaço para oito mil pés de café e terra para o roçado. A moradia era muito simples e com telhado em telha van sem forro, o que deixava o ambiente muito fresquinho no verão, mas muito frio no inverno e obrigando a deixar o fogão de lenha aceso para aquecer a família.

Meu nono, mantendo sua tradição e habilidade, construiu em anexo à casa uma tulha onde depositava toda a produção do sítio e mantinha-se uma oficina de manutenção. Naqueles tempos, chovia torrencialmente e meu avô aproveitava as horas ociosas para executar diversos trabalhos em sua oficina. Nestes momentos, ele estava sempre cercado por porcos, galinhas, marrecos, patos, cachorros, gatos e demais animais domésticos. Além desse pitoresco cerco, o rodeava ainda a nona Luzia e a filharada. Pensando bem, a paciência de Aquiles era de Jó porque a criançada intrometia-se em tudo, pegando e estragando ferramentas. Coisas próprias da idade. Criançada arteira.

Texto retirado do livro “O soldador de penicos”, de Silvio Bertollini.